sábado, 28 de dezembro de 2013

O poço

Um poço tão cheio
Foste bebendo
Ele foi despejando
Quase vazio
Voltava a encher
E era assim
era sempre assim
esvaziava quase todo
enchia de um modo aterrador
E deixaste de conseguir beber
E a água afogou-te
E quiseste chorar
E quiseste gritar
Querias pedir ajuda
E ela chegava
Reanimavas
Ressuscitavas
O poço estava mais vazio
Já não tinhas medo
Foste beber de novo
Não paraste de beber
É mais forte do que tu
Mas cais
Já sabes nadar
Mas não nadas
Tens força
Mas não a queres usar
Não queres sair
Queres ficar
E ficas
E sais de novo
Mas o ciclo repete
Bebes, cais, choras, gritas, sais, secas
Mas o ciclo repete
E tu regrediste
Cresces, mas não cresceste
Cais de novo
Queres sair e não consegues
Desta vez queres mesmo
Desistes
Já não gritas
Já não choras
És empurrado para fora do poço
Sais
Ficas ressequido
Ficas com sede
Já não queres beber
O poço é destruído
E tu?
Descobres uma fonte...ou morres.

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